ainda parado:
observava as rachaduras do muro de uma só cor quando começou a chover. eram pingos de água do céu, era sua graça
os pingos manchavam o muro para uma segunda cor criando uma atmosfera que me fazia rachar por dentro achar que meus olhos estivessem cansados
ambientei-me aos poucos nessa segunda cor que estava tomando forma transbordando linhas batendo pingos na parede em mim
fui seguindo com os olhos mãos corpo e espírito os traços que esses pingos, essa nova cor, formavam
não sabia o que era mas sensações se refletiram em mim como se eu estivesse dentro de um marasmo espelhado pois pude perceber que esses traços espalhados eram agora compostos por frases soltas de um parágrafo seu. frases suas que reverberavam em mim
já andando:
me afastei e pude ver embaçada pelos pingos deformada pelas traças a sua face oriunda da chuva; você bateu-me como uma revelação
não me conformando:
selei sua boca tracejada com um beijo celo-fane forçando-te a sair do muro pingado e vir a mim azul e borrada pela chuva.
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