Faz dez horas e vinte nove minutos que o astro-mastro que brilha, nos ilumina -poste infindo-, se desloca sola(r)mente para minha destra (aceno na tentativa de fazê-lo volver, me ver, quero puxá-lo para me aquecer), porque está tão escuro. Penso segundo-a-segunda, sinto minuto-a-minuto os pequenos deslocares-dez-colares diamantes dessa engrenagem que é chamada de 'poente' (meu braço cansado cedeu, se deu por vencido). O caso é que nesses tantos moveres o ocaso ocorreu: em mim não mais é luzente aquilo que um dia me corou, me queimou; mesmo sem mãos ou pés no chão, devo seguir o sol, devo seguir o sol, o brilho, devo seguir o sol, seu brilho diamante.
“tantas cores, tantos amores”
(respiro)
“ainda há cores, não mais amores”
Alerto que minhas capacidades adentram no meu estado "calamidade". Se preferir, pode intervir e dizer que me dará um banho quente e que me ensaboará, mas nunca diga que se trata de um mergulho, pois logo em seguida direi “não se assuste com o tempo de submersão. Não sufocarei, afinal, é uma espécie de apnéia que pratico em você” e então estaremos no exato local a farei soltar gritinhos abafados contra um travesseiro que me cheira, travesseiro-eu, travesseiro-parede, travesseiro-corda que te sufoca e seu pescoço marcado por meus dentes-tambicu.
Suas mãos-desesperadas procuram exasperadamente um sustento. Mas o que você não sabe é que te sustento-alimento com o travesseiro, o enfiando cada vez mais pro-fundo de sua boca, até suas unhas deixarem minha pele em paz.
tudo o que me interessa nessa cena é sua mão que acenará na tentativa de fugir de impedir que o meu sol ilumine o seu di-amante que meu sol se aproxime de seu dia-mante e que entre através da nossa janelinha revestida de sarcasmo na precisa posição-cintilar da pedra-dente pedra-perene que brilha e está ali tão bonita brilhando ao nossos olhos escornada ao som do jazz-sirene que toca em seu 'lon plei' brubeck voltemos back voltamos it’s long play i say baixinho cochichando em seu ouvido baixinho até acabar o som o sax e não agüentar e sufocar seu fim para que você descubra enquanto sufoca que o presente se encontra no passado embaixo de uma pedra vermelha que talvez um pássaro tenha derrubado em sua jornada para casa causando algum estrago naquelas palavras que ocultam e sempre ocultaram palavras no passado-memória-passada.
mistério porque agora é meia noite ou uma mera estupi-dez colares diamantes em meus bolsos e você imóvel cor lilás na cama com seu sustento-travesseiro na boca.
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