18 fevereiro 2011

Ou Ritmo Ou Joana d'Arc

O que sinto não sei descrever. Essa estranha sensação remete a alguma coisa como um dedo em contraponto com o nariz, é um apertar tão fundo que temo que minha pele rasgue. Não esperava por essa ponta me contra apontando, por essa postura de recusa que também recusa deslocar o dedo daqui e a omoplata dalí para algum lugar mais quentinho. No fogo o corpo é tão frágil. Quero afirmar, mas tudo que me cabe é perguntar por que ainda insistem em balançar suas cabeças em frágil negação? Também nego. Não, Não. Não nego, impostores. Vocês negam e sabem que jamais repetirei esse torcicolo, zelo tanto por minhas dores. E os culpo tanto, já que meu pescoço mordido sequer teve o direito de se sentir doído. Queria escrever o que sinto e antecipar o que se tornará medo, mas meu pescoço foi mordido pelas lâminas da guilhotina e minha cabeça rolou. É tudo tão vermelho.


Meus olhos ainda reproduzem o fogo da lamparina, em meus olhos ardem chamas. Das trevas à luz. Do que eu fui ao que jamais serei. Devo dizer que soa como um delicado arranhão nessa ausência de tempo. Não esperava por essa posição já que nunca havia me ocorrido nada. Nada é nada, seja êxito ou hesitação por ser pavio curto. É natural. Não tenho sequer coragem de piscar. O medo de queimar meus cílios e pálpebras cria uma tensão desnecessária, e se forem espertinhos, notarão que tudo é tão próximo do prazer. É a natureza. Outrora esse incêndio seria tão oportuno para meu calafrio, mas agora, para quê tantas faíscas? Iria perguntar, mas tudo que me permito é afirmar que meu papel como narradora é fazer a ciranda girar. Batam palmas, escravos. Ou assoviem. Desculpem-me, mas a dança pede isso. Movo-me por todos os cantos, estou à procura da minha cabeça.


Nenhum comentário: