17 junho 2011

Ana, uma Rosa

Lembrou-se subitamente que sempre quis ser pintor. Gostava de transformações, de composições, de pular amarelinha para sentir o céu e o inferno. Lembrou-se também que sempre quis criar uma flor, um fantasma em forma de flor e por que não agora, enquanto andavam, ombro a ombro, quase calados? Sim, agora. Primeiro pôs o amarelo e foi pintando o entorno - as poucas palavras, as pessoas, si próprios, tudo - até ter que, inevitavelmente, despejar o verde, muito verde, entrar no verde, sabendo que logo encontraria a mesma despedida fantasmagórica de cinco anos atrás: já estavam no azul, tudo azul, linha azul e Ana, uma Rosa.

Ao partir, percebeu que se esqueceu de entregar-lhe a flor.

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